2 de outubro de 2008

Mãe em tempo integral

Já há algum tempo eu venho pensado num assunto que me incomoda: as mulheres conquistaram o direito à trabalhar fora e ter independência, mas estão perdendo o direito de ser mãe.

Em um primeiro momento, pois a ciência trata o parto como um procedimento médico, quando ele é algo tão natural e íntimo quanto o momento da concepção. Depois falarei mais sobre isso.

E em um segundo momento, quando a mulher se vê obrigada a largar o filho na creche, nas mãos de babás ou, quando tem sorte, nas mãos de parentes. Sim, ela precisa voltar ao trabalho e a sociedade não admite outra opção.

Esbarrei no blog de Vanessa Rosa, Curitiba, e encontrei uma declarada demonstração de amor.
"... percebo como é difícil para as mães a volta ao trabalho após a licença maternidade. Depois de passar alguns meses no aconchego com o bebê, sentindo aquele cheirinho gostoso, amamentando e ninando realmente é difícil ser racional neste momento. Toda mãe quer o melhor para seu filho, mas este melhor é muito subjetivo, portanto cada uma decide do seu jeito (...).
Um dia eu também tive que fazer esta escolha, (...) Foi justamente nesta época, que aconteceu há pouco mais de 6 anos atrás, que eu e meu então noivo decidimos que quando tivéssemos filhos eu deixaria de trabalhar por um período indeterminado para educar nossos filhos pessoalmente. Esta decisão não foi movida por um mero capricho ou vaidade, mas por acreditarmos que dificilmente alguém se comprometeria tanto quanto um de nós para educar nossos filhos. Em nossa maneira de ver nossos filhos seriam nossas prioridades e portanto deveríamos dedicar a eles nosso tempo em quantidade e em qualidade, principalmente nos primeiros anos de vida. (...)
Graças a Deus este plano se concretizou. Abrimos mão da possibilidade de ter uma vida mais confortável, assumi sozinha as tarefas domésticas em prol de dar a nossa filha e ao (s) nosso (s) próximo (s) filho (s) uma educação dentro dos nossos princípios e valores e o meu tempo em período integral. É extremamente gratificante acompanhar minha filha em cada fase de desenvolvimento. Ela está com 11 meses e está treinando muito para dar seus primeiros passinhos. Como todo bebê nesta fase ela fica em pé e se apóia nos móveis de casa, mas sente-se insegura para sentar de novo e eu estou lá para dar o apoio de que ela precisa. Ganho cada sorriso gostoso quando vou em direção a ela para ajudá-la! Pude amamentar exclusivamente até o 6º mês de vida dela. Depois, introduzi a alimentação que faço com o maior carinho do mundo e continuo amamentando sem prazo para desmame. Isto não tem preço. Eu me sinto totalmente realizada.
Quando meu esposo chega minha pequena engatinha com a maior agilidade para o colo do pai. Ele junta-se a nossa gostosa bagunça e nos curtimos até a hora de dormir. Muitas pessoas já me disseram que acham tudo isto desnecessário, outras já me julgaram pela forma como alimento minha filha (...) e também já recebi muita crítica e palpite não solicitado sobre quando devo desmamá-la, sobre introdução de leite de vaca, de pessoas que parecem insistentemente querer demonstrar indiretamente que sabem mais do que eu sobre a criação da minha filha, entre tantas outras pressões sociais.
Ser mãe em tempo integral é um trabalho silencioso, que muitas vezes não conta nem com a compreensão, admiração e valorização da sociedade. Mas, mesmo assim é recompensador e sei que os frutos serão colhidos no tempo certo.
Por fim, quero dizer que entendo que muitas mães precisam trabalhar pela necessidade financeira, para se sentir completa e realizada e por tantos outros motivos. Estas mães certamente também dão o melhor de si para seus filhos (...)"
Leia o texto na íntegra

Apesar de toda essa pressão da sociedade, o mais importante é ter o apoio do pai; isso é fundamental. E, hoje em dia, com tantas opções de trabalho em casa, freelancer, autônomo... a mulher pode continuar economicamente ativa sem deixar de lado a família.

E você? Qual foi/será sua escolha? É o que o seu coração quer ou está cedendo à pressão da sociedade?
 

10 comentários:

  1. Cris, eu penso muito nisso tb.
    Eu e meu marido achamos melhor que eu crie nossos filhos.
    Desde já eu fui me engajando neste caminho... Saí do studio onde trabalhava e me tornei freelancer. Trabalho em casa.
    Sabemos que qd o bebê vier o meu tempo disponível pra trabalhar vai diminuir consideravelmente... Mas ele diz que ele paga as contas, e o 'meu' dinheiro é o nosso extra. E assim já é! =)
    KMas engraçado, sabe, a esmagadora maioria das minhas amigas pensa assim tb... Acho que está acontecendo uma volta neste aspecto...

    Legal né?

    Beijinhos mil!

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  2. Esqueci de dizer: É uma questão de prioridades, e as prioridades são coisas muito pessoais...
    O que importa é dar o melhor de si.

    É mto chato isso de ficarem se metendo na nossa vida.
    Mas enfim, vc se importa com o q os outros pensam de vc? NEM EU! =)

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  3. Oie, eu tbm como a Thalita tbm ja estou no esquema, sou cabeleireira e trabalho a domicílio faço meus horários. Meu marido e eu, decidimos q eu vou ficar com nossos filhos, tbm porque tive exemplos na família, de mães que perderam o melhor da infancia de seus filhos, e não valeu a pena. Pelo menos eu acho que não vale. estou esperando a tanto tempo, num vou perder nem um segundo, num quero perder nem um sorriso, nem um chorinho se quer. Ja amo meu bebê antes mesmo da concepção.

    Seu blog é muito interessante.

    Parábens

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  4. Fico feliz em saber que as coisas estão mudando. Faz com que eu não me sinta tão sozinha. ^^

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  5. E sabe o que eu acho engraçado, Cris? O conceito de só deixa de trabalhar a mulher q tem o marido que ganha bem e "pode" sustentar a família.

    Eu conheço bem os dois lados da moeda.
    Tenho primos "ricos". Eles foram criados por babá. Vc desce no play do prédio deles e não vê UMA mãe ou pai. Só mulheres de roupa branca. Ouvi inúmeros casos, dentro deste outro lado da família, onde a criança começou a se apegar demais à babá, e a até chamar de mamãe. Sabe o que aconteceu? Despediram a babá. Pq "esse vínculo não faz bem". =/
    E estas, teoricamente, são famílias que podem muito bem sustentar-se sem mtos problemas... (o pior é qd a mãe nem trabalhar trabalha, mas vive de salão, shopping, etc... Não sei pra que ter filhos!!)

    Mas tb conheço famílias de, digamos, classe média baixa. Os pais têm trabalhos comuns: taxista, professor de escola... Mas as mães são mães em tempo integral. Estas famílias estão longe de ser abastadas. Mas em compensação, as crianças... São maravilhosas, educadas nos valores de seus pais, sabem dizer "com licença" e "obrigado" e têm uma noção mto melhor de como tratar o próximo.

    Eu, sinceramente, se tivesse que optar estritamente entre as duas opções de vida entre estas aí, ficava com a segunda.

    Beijinhos!

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  6. AH, sim, e claro que, como diz o texto, entre estes extremos existem os meio-termos.
    Como eu disse antes, o que importa é se dedicar de verdade, de uma forma ou de outra, seja lá qual for o seu jeito/possibilidade de fazê-lo.
    =)

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  7. Cris,

    Gostei muito do seu blog, da forma como vc escreve. Parabéns!
    Fiquei feliz em ver que meu texto e minha experiência poderá ser lido por mais pessoas já que foi publicado uma boa parte dele no seu blog.
    Não tenho tido tempo de escrever mais, mas sabe que até me animei?
    Beijos,

    Van

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  8. Vanessa Rosa6/10/08 7:12 PM

    Cris,

    Ao ler seu comentário no meu blog fiquei tentando lembrar de onde te conhecia. Só agora descobri que é da lista parto natural.

    Dá uma olhadinha no blog http://www.mamiferas.blogspot.com/
    Acho que os textos têm tudo a ver conosco. As blogueiras em questão tbm são participantes da lista "bestbaby".

    Bjs,

    Van

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  9. ola
    voltei para ver melhor o seu blogue

    Gostei muito...parabens!

    carla

    gostava que fosse a:
    arte-e-ponto.blogspot.com
    carla

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  10. Oi Miriam! Também acho que o trabalho de mãe é silencioso. Eu tive gêmeos há seis anos e só tive coragem de parar de trabalhar fora quando eles completaram quatro anos. E confesso que foi muito difícil tomar essa decisão. O mundo nos cobra muito, mas hoje perebo que a maior cobrança vem da gente. Quando conseguimos fazer algumas concessões a nós mesmas, acho que conseguimos aproveitar melhor essa fase de Mãe integral. Beijo
    Vou seguir vc, ok? Gisa Hangai www.maebacana.com.br

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